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mobilidade; nova classe média; assemblage; alinhamento;
mobility; new middle class; assemblage; alignment
Abstract:
Entre 2001 e 2013, o Brasil cresceu e redistribuiu renda. Fruto da estabilidade infl acionária,
do aumento do salário mínimo, da expansão do crédito e das políticas sociais,
esse período foi marcado pela mobilidade ascendente de milhões de brasileiros. Economistas,
jornalistas, políticos e marqueteiros viram na ascensão econômica dessa
população a emergência de uma “nova classe média”, defi nida na releitura de estatísticas
nacionais e tornada alvo de intervenções governamentais e de mercado. A partir
de uma etnografi a documental e de entrevistas com experts, este artigo propõe uma
arqueologia dessa categoria, problematizando os caminhos taxonômicos de sua emergência
e evanescência. Argumentamos que a “nova classe média” deve ser pensada
como uma assemblage científi ca, política e econômica, agenciada, respectivamente,
através de alinhamentos estatísticos, governamentais e mercadológicos. Essas escalas
difusas de conhecimento e poder cristalizaram frentes discursivas que tornaram
a mobilidade econômica inteligível, em um país tradicionalmente conhecido pela
estagnação e desigualdade.
Abstract:
Between 2001 and 2013, Brazil’s economy grew with income redistribution. A result
of infl ationary stability, minimum wage increase, credit expansion and the widening
of social policies, this period was characterized by the upward mobility of dozens of
millions of Brazilians. Economists, journalists, politicians and marketers heralded the
end of endemic poverty and the incorporation of this population into a newly defi ned
“middle class”. Drawing from a documental ethnography, and from interviews with
experts, this article pursuits the archeology of this category, problematizing the taxonomic
ways of its emergence and evanescence. We argue that the “new middle class”
must be understood as a scientifi c, political, and economic assemblage – one that is
performed through statistic, governmental, and marketing alignments. Such diff use
scales of knowledge and power crystallized discursive fronts that rendered economic
mobility legible in a country traditionally known for its stagnation and inequality.