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A emergência e evanescência da nova classe média brasileira

MPS-Authors
/persons/resource/persons217723

Kopper,  Moisés
Soziologie des Marktes, MPI for the Study of Societies, Max Planck Society;
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil;

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Fulltext (public)

HA_24_2018_Kopper.pdf
(Any fulltext), 518KB

Supplementary Material (public)
There is no public supplementary material available
Citation

Kopper, M., & Damo, A. S. (2018). A emergência e evanescência da nova classe média brasileira. Horizontes Antropológicos, 24(50), 335-376. doi:10.1590/s0104-71832018000100012.


Cite as: http://hdl.handle.net/21.11116/0000-0000-DF6C-D
Abstract
Entre 2001 e 2013, o Brasil cresceu e redistribuiu renda. Fruto da estabilidade infl acionária, do aumento do salário mínimo, da expansão do crédito e das políticas sociais, esse período foi marcado pela mobilidade ascendente de milhões de brasileiros. Economistas, jornalistas, políticos e marqueteiros viram na ascensão econômica dessa população a emergência de uma “nova classe média”, defi nida na releitura de estatísticas nacionais e tornada alvo de intervenções governamentais e de mercado. A partir de uma etnografi a documental e de entrevistas com experts, este artigo propõe uma arqueologia dessa categoria, problematizando os caminhos taxonômicos de sua emergência e evanescência. Argumentamos que a “nova classe média” deve ser pensada como uma assemblage científi ca, política e econômica, agenciada, respectivamente, através de alinhamentos estatísticos, governamentais e mercadológicos. Essas escalas difusas de conhecimento e poder cristalizaram frentes discursivas que tornaram a mobilidade econômica inteligível, em um país tradicionalmente conhecido pela estagnação e desigualdade.
Between 2001 and 2013, Brazil’s economy grew with income redistribution. A result of infl ationary stability, minimum wage increase, credit expansion and the widening of social policies, this period was characterized by the upward mobility of dozens of millions of Brazilians. Economists, journalists, politicians and marketers heralded the end of endemic poverty and the incorporation of this population into a newly defi ned “middle class”. Drawing from a documental ethnography, and from interviews with experts, this article pursuits the archeology of this category, problematizing the taxonomic ways of its emergence and evanescence. We argue that the “new middle class” must be understood as a scientifi c, political, and economic assemblage – one that is performed through statistic, governmental, and marketing alignments. Such diff use scales of knowledge and power crystallized discursive fronts that rendered economic mobility legible in a country traditionally known for its stagnation and inequality.